A Nissan apresentou oficialmente a terceira geração do Juke, agora com uma versão totalmente elétrica. O novo Nissan Juke EV mantém a imagem irreverente do modelo, mas passa para uma arquitetura elétrica, ganha um interior muito mais tecnológico e promete até 622 km de autonomia WLTP.
A produção em série está prevista para começar no início de 2027 na fábrica de Sunderland, no Reino Unido. As vendas europeias, incluindo Portugal, deverão arrancar na primavera do mesmo ano.
Um Juke muito mais futurista
O novo Juke EV abandona parte das formas arredondadas das gerações anteriores e adota linhas mais geométricas. O desenho foi influenciado pelo conceito Nissan Hyper Punk, apresentado em 2023, com uma abordagem que dificilmente passa despercebida.
Na frente destacam-se as luzes diurnas finas, os grupos óticos LED de formato quadrado e o logótipo Nissan iluminado. A carroçaria tem ainda puxadores das portas ocultos, vias mais largas e jantes de desenho geométrico.

Na traseira, o formato fastback e a solução aerodinâmica inspirada no conceito Kamm-tail procuram reduzir a resistência ao ar. Num elétrico, esta escolha não é apenas estética: uma melhor aerodinâmica pode ajudar a reduzir o consumo em estrada.
Até 622 km de autonomia
O Nissan Juke EV utiliza a plataforma elétrica CMF-EV, também associada a modelos como o Nissan Ariya e o Renault Scenic.
As versões de entrada terão tração dianteira e motores com potências entre aproximadamente 174 e 215 cv. Estão previstas duas baterias:
- 52 kWh, com autonomia de cerca de 400 km WLTP;
- 75 kWh, com autonomia anunciada até 600–622 km WLTP.
O carregamento rápido DC poderá atingir 150 kW, permitindo passar dos 20 aos 80% em cerca de 30 a 35 minutos, segundo os dados divulgados.

A Nissan também prevê suporte para V2G (Vehicle-to-Grid), tecnologia que permite utilizar a bateria do automóvel para devolver energia à rede, desde que exista compatibilidade com a infraestrutura necessária.
Interior com dois ecrãs de 14,3 polegadas
O habitáculo dá um salto tecnológico significativo. O painel dianteiro recebe dois ecrãs de 14,3 polegadas, destinados ao painel de instrumentos e ao sistema multimédia.
A integração com os serviços Google é outro dos pontos fortes. O sistema de navegação pode planear viagens tendo em conta os carregadores disponíveis e preparar a bateria antes da chegada a uma estação de carregamento rápido.
A Nissan aposta ainda numa atmosfera mais futurista, com iluminação ambiente e diferentes elementos decorativos. Em comparação com o novo Leaf, o Juke EV procura claramente uma personalidade mais expressiva.
O Juke a combustão não desaparece já
A chegada do elétrico não significa que o Juke atual desapareça imediatamente. A Nissan pretende manter versões com motor de combustão e híbridas durante a transição, com uma atualização estética para aproximar o modelo da nova identidade da marca.
Isto é particularmente relevante para mercados europeus onde a infraestrutura de carregamento e os preços dos elétricos ainda podem influenciar a escolha dos consumidores.
Minha opinião
O novo Juke EV parece ser uma evolução muito mais profunda do que uma simples mudança de motor. A combinação de até 622 km WLTP, carregamento a 150 kW e uma cabine bastante tecnológica coloca o modelo numa posição interessante entre os crossovers elétricos compactos.
Mas há uma coisa que eu não compraria já apenas com base na ficha técnica: a promessa de autonomia. Os 622 km são um valor WLTP e, na utilização real, sobretudo em autoestrada e com temperaturas baixas, será naturalmente mais difícil aproximar-se desse número.
Também falta saber quanto vai custar em Portugal. Se a Nissan conseguir posicionar o Juke EV a um preço competitivo, poderá ter um argumento forte. Caso contrário, o design diferente e os muitos equipamentos podem não ser suficientes para justificar a escolha.
Por agora, o Juke EV parece promissor, mas os preços portugueses e os primeiros testes reais serão muito mais importantes do que os números apresentados no lançamento.
Veículos elétricos e tecnologias
A Volvo está a desenvolver uma tecnologia que permite aos carros partilhar alertas sobre perigos ainda fora do campo de visão. Peões, animais e obras poderão ser detetados antes de o condutor os conseguir ver.
A Volkswagen quer tornar o carro elétrico mais acessível, com uma meta de preço de cerca de 20.000 euros. A produção em Palmela torna esta aposta particularmente relevante para Portugal.




